Galáxias do Conhecimento

Astronomia básica

seta esquerda     6     seta vazia

Instrumentos ópticos



Cometa Neowise
[Foto: Palonitor, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons]

Breve histórico

Antes do uso de lunetas e telescópios, os astrônomos já conseguiam determinar as posições aparentes de estrelas e planetas. Entretanto, mesmo os maiores planetas eram vistos apenas como pequenos pontos de luz.

Os chineses e outros povos da Antiguidade deixaram registros sobre manchas escuras no Sol e observaram diferenças entre as regiões mais brilhantes e as áreas acinzentadas da Lua. Contudo, a obtenção de detalhes mais precisos de suas superfícies era impossível.

A invenção do telescópio marcou, portanto, uma verdadeira revolução na história da Astronomia. A primeira luneta foi construída em 1608 pelo fabricante de lentes holandês Hans Lippershey, mas foi Galileu Galilei quem, no ano seguinte, aprimorou o instrumento e o apontou pela primeira vez para o céu.


Telescópio de Galileu Galilei
Primeiro telescópio construído por Galileu.
[Imagem: Museu Galileo]

Galileu foi, de fato, o primeiro a utilizar telescópios para observação astronômica, realizando descobertas extraordinárias: as crateras e montanhas da Lua, os quatro maiores satélites de Júpiter, as fases de Vênus, as manchas solares e os anéis de Saturno. Revelou ainda que a Via Láctea, até então considerada uma "névoa" misteriosa, é formada por um imenso conjunto de estrelas.

Mais tarde, Isaac Newton também construiu seus próprios telescópios. Suas observações e, principalmente, seus estudos sobre a natureza da luz impulsionaram o desenvolvimento tecnológico, resultando em uma grande variedade de instrumentos ópticos à disposição de astrônomos amadores e profissionais.


Telescópio de Isaac Newton
Primeiro telescópio construído por Isaac Newton (1643-1627) [Imagem: Andrew Dunn, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.]

Galileu Galilei
Galileu observando as estrelas.
[Ilustração: Public Domain Vectors]

Tipos de telescópios

Há duas categorias principais de telescópios: refratores e refletores. Tradicionalmente, os refratores também são chamados de lunetas. A diferença fundamental entre eles está no elemento óptico: os refratores utilizam lentes, enquanto os refletores empregam espelhos.


Telescópio refrator
Esquema de montagem de um telescópio refrator (luneta). A luz é recebida na lente objetiva e converge para o foco, onde a imagem é formada e ampliada pela lente ocular. [Desenho: Mjmauler - Lic. CC-BY-SA 4.0]

Uma desvantagem dos telescópios refratores é que, quanto maior for a lente, maior será a tendência de deformação devido ao peso. Além disso, o vidro - material com que as lentes são feitas - sofre deformações graduais ao longo do tempo.

Já o telescópio refletor não apresenta esse problema, pois sua estrutura permite sustentar adequadamente o espelho, evitando deformações.

Nos refletores do tipo newtoniano, utiliza-se um espelho secundário para redirecionar a imagem. Essa configuração elimina o problema da aberração cromática, fenômeno óptico que faz surgir cores falsas nas imagens.

Telescópio refletor Newtoniano
Esquema de montagem de um telescópio refletor do tipo newtoniano. A luz entra pelo tubo e é refletida por um espelho primário, convergindo para outro espelho, que a direciona no sentido da ocular. Esse tipo de instrumento foi construído pela primeira vez por Isaac Newton, em 1682. [Desenho: Mjmauler - Lic. CC-BY-SA 4.0]

Entretanto, a montagem newtoniana não é ideal para instrumentos profissionais de grandes dimensões, já que a distribuição irregular de peso pode causar desequilíbrio no equipamento.

Para solucionar isso, foi desenvolvido o telescópio refletor com foco Cassegrain, no qual há um furo central no espelho primário. Após refletir no espelho secundário, a luz atravessa esse furo e o foco se forma atrás do espelho primário.


Telescópio com foco Cassegrain

Esquema básico de montagem de um telescópio refletor com foco Cassegrain. A posição do focalizador forma uma simetria que garante o equilíbrio do equipamento, mesmo em instrumentos de maiores dimensões. [Desenho: Mjmauler - Lic. CC-BY-SA 4.0]

Essas configurações representam apenas os modelos básicos. Existem telescópios com mais de dois espelhos, assim como outros que combinam espelhos e lentes em um mesmo sistema óptico.



Nitidez e turbulência

A característica mais importante de um telescópio é a sua abertura - o diâmetro da lente objetiva ou do espelho primário. Quanto maior essa medida, mais luz o instrumento capta e mais nítidas tendem a ser as imagens obtidas.

Por isso, telescópios com aberturas cada vez maiores foram sendo construídos, visando captar maior quantidade de luz e permitir a observação de objetos de luminosidade mais fraca.

Contudo, há um limite a partir do qual o aumento do diâmetro já não melhora a nitidez, pois ela passa a ser prejudicada pela turbulência atmosférica - os movimentos irregulares do ar que desviam a luz e distorcem as imagens. A intensidade desse efeito depende da localização geográfica.

É por essa razão que os observatórios costumam ser instalados em regiões de grande altitude e com ar mais limpo, condições que minimizam a turbulência. Outra solução tecnológica é o uso da óptica adaptativa, que corrige em tempo real as distorções causadas pela atmosfera.

Na prática, o problema só é totalmente superado nos telescópios espaciais, que operam fora da atmosfera terrestre e, portanto, permanecem completamente livres da turbulência.


Deserto do Atacama
O Deserto do Atacama, no Chile, é considerado a melhor região do mundo para observação astronômica, devido à elevada altitude, ao céu excepcionalmente limpo e à mínima turbulência atmosférica. [Foto: P. Horálek/ESO, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons]

Como escolher um telescópio?

Se você ainda não tem um telescópio mas pretende adquirir um, ou se tem mas não está satisfeito com a qualidade, não saia comprando nada sem antes fazer um planejamento. Você precisa entender só um pouquinho de especificações técnicas, para não correr o risco de se decepcionar.

Uma boa opção para o iniciante pode ser a construção de um observatório caseiro, com peças escolhidas ou manufaturadas de acordo com as especificações desejadas. Isso envolve, também, a montagem de uma estrutura de suporte e fixação.

Independentemente de sua escolha, comprar ou fazer você mesmo, é importante que sejam levados em consideração os seguintes parâmetros básicos:

  • Abertura (D): diâmetro da lente objetiva ou do espelho primário.
  • Distância focal (F): distância do espelho primário (ou lente) até o foco.
  • Ampliação: A = D/d (sendo d o diâmetro da lente ocular).
  • Razão focal: ƒ = F/D.

Parãmetros de um telescópio

[Imagem criada com apoio de IA]

Para um melhor entendimento, uma sugestão de exercício: olhe para os esquemas de montagem exibidos no tópico sobre tipos de telescópios acima (refrator, refletor e Cassegrain) e localize visualmente as medidas que correspondem às variáveis abertura (D), distância focal (F) e diâmetro da lente ocular (d). A ampliação e a razão focal são calculadas a partir desses parâmetros.

Instrumentos com alta razão focal (ƒ/10 ou maior) são ótimos para a observação de objetos celestes mais próximos, tais como a Lua e os planetas do Sistema Solar. Por outro lado, razões focais mais baixas (ƒ/6 ou menos) são mais adequadas à observação de estruturas mais distantes, como nebulosas e galáxias.

Um fator determinante de qualidade refere-se à ampliação das imagens. O ideal é que ela não ultrapasse o dobro da abertura. Por exemplo, supondo D = 90 mm, deve-se observar o limite de ampliação de 180 vezes.

Portanto, cuidado com anúncios de equipamentos com altas taxas de ampliação, porém sem respeito às proporções acima indicadas. O aumento prometido será real, mas a qualidade das imagens não será muito boa. Confira com muita atenção as especificações técnicas do produto.

Uma dica final, mas não menos importante: instrumentos astronômicos de boa qualidade óptica não combinam muito com a palavra "barato". Comprar um telescópio de loja com preço mais acessível pode tornar a boa prática astronômica verdadeiramente "inacessível". Para evitar esse desprazer, recomendamos muita cautela na decisão pela compra de um desses equipamentos.



★ Edição: Mauro Mauler - Artigo publicado originalmente em 19/02/2024.
★ Última revisão e atualização: 07/10/2025.


Leia também...

Espectro eletromagnético

Astronomia além da luz visível

A luz que enxergamos e que podemos captar através de telescópios ópticos é apenas um dos tipos de radiação eletromagnética. Existem outros, tais como os raios X, as micro-ondas, os raios infravermelhos, etc., que também conduzem informações importantes sobre os objetos celestes que os emitem.


topo


[Introdução] [1] [2] [3] [4] [5] [6]