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Símbolo da Física

Prêmio Nobel de FÍSICA

seta esquerda     1935     seta direita

(Não houve Prêmio Nobel de Física em 1934)

JAMES CHADWICK

James Chadwick
Assinatura de James Chadwick

"Pela descoberta do nêutron.".

Fundamentos

Quando Herbert Becker e Walter Bothe bombardearam o berílio com partículas alfa (núcleos de hélio), em 1930, observaram a emissão de uma radiação intensa e altamente penetrante.

Inicialmente, levantou-se a hipótese de que se tratava de uma radiação eletromagnética de altíssima energia. No entanto, em 1932, o físico britânico James Chadwick (1891-1974) demonstrou que, na verdade, tratava-se de uma partícula neutra, com massa aproximadamente igual à do próton.

Anos antes, Ernest Rutherford já havia sugerido a existência de tal partícula no interior dos núcleos atômicos. Com a comprovação experimental, ela recebeu o nome de nêutron, em referência à ausência de carga elétrica.

Por essa descoberta fundamental para o avanço da teoria atômica, James Chadwick foi laureado com o Prêmio Nobel de Física de 1935.



Biografia

James Chadwick nasceu no condado de Cheshire, Inglaterra, em 20 de outubro de 1891, filho de John Joseph Chadwick e Anne Mary Knowles.

Antes de ingressar na Manchester University, em 1908, estudou na Manchester High School. Graduou-se em 1911 na Honours School of Physics e passou os dois anos seguintes sob a orientação do professor (mais tarde Lord) Ernest Rutherford, no Laboratório de Física de Manchester, onde trabalhou em diferentes problemas relacionados à radioatividade, obtendo o grau de mestre em 1913.

No mesmo ano, recebeu a bolsa 1851 Exhibition Scholarship e foi para Berlim, onde trabalhou na Physikalisch-Technische Reichsanstalt, em Charlottenburg, sob a supervisão do professor Hans Geiger.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Chadwick foi internado no campo de prisioneiros civis de Ruhleben, próximo a Berlim. Após a guerra, em 1919, retornou à Inglaterra e aceitou a bolsa Wollaston no Gonville and Caius College, Cambridge, retomando o trabalho com Rutherford, que havia se transferido para o Laboratório Cavendish.

Naquele mesmo ano, Rutherford conseguiu desintegrar átomos bombardeando nitrogênio com partículas alfa, o que resultou na emissão de prótons - a primeira transformação nuclear artificial registrada.

Em Cambridge, Chadwick participou ativamente da investigação sobre a transmutação de outros elementos leves por bombardeio com partículas alfa, além de estudar as propriedades e a estrutura dos núcleos atômicos. Foi eleito membro do Gonville and Caius College (1921-1935) e, em 1923, tornou-se diretor assistente de pesquisa no Laboratório Cavendish. Em 1927, foi eleito membro da Royal Society.

Em 1932, Chadwick fez uma descoberta fundamental para a ciência nuclear: comprovou a existência do nêutron - partícula elementar sem carga elétrica, em contraste com os núcleos de hélio (partículas alfa), que possuem carga positiva e são repelidos pelas fortes forças elétricas presentes nos núcleos atômicos pesados.

O nêutron revelou-se uma ferramenta decisiva para os estudos nucleares, pois, ao contrário das partículas carregadas, não precisa superar barreiras elétricas e consegue penetrar e dividir núcleos até mesmo de elementos pesados.

Essa descoberta abriu caminho para a fissão do urânio-235 e, consequentemente, para o desenvolvimento da bomba atômica. Pelo feito, Chadwick recebeu a Medalha Hughes da Royal Society em 1932 e, em 1935, foi agraciado com o Prêmio Nobel de Física.


Fissão Nuclear do Urânio 235
Fissão nuclear do urânio-235.
[Imagem: MikeRun, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons]

Chadwick permaneceu em Cambridge até 1935, quando foi nomeado para a cátedra Lyon Jones de física da University of Liverpool.

De 1943 a 1946, trabalhou nos Estados Unidos como chefe da missão britânica vinculada ao Projeto Manhattan, que resultou na construção das primeiras bombas atômicas.

Retornando à Inglaterra, aposentou-se da atividade científica em 1948 e deixou seu cargo em Liverpool após ser eleito mestre do Gonville and Caius College. Em 1959, aposentou-se também dessa posição. De 1957 a 1962, atuou em tempo parcial como membro da Autoridade de Energia Atômica do Reino Unido.

Ao longo da carreira, Chadwick publicou numerosos artigos sobre radioatividade e temas correlatos. Em parceria com Rutherford e Charles D. Ellis, foi coautor do livro Radiations from Radioactive Substances (1930).

Foi amplamente reconhecido por suas contribuições: em 1945, recebeu o título de cavaleiro. Além da Medalha Hughes, foi laureado com a Medalha Copley (1950) e com a Medalha Franklin do Franklin Institute, da Filadélfia (1951).

Chadwick recebeu doutorados honorários das universidades de Reading, Dublin, Leeds, Oxford, Birmingham, Montreal (McGill), Liverpool e Edimburgo. Também foi membro de várias academias científicas estrangeiras, incluindo a Académie Royale de Belgique (associado), a Kongelige Danske Videnskabernes Selskab (membro estrangeiro), a Koninklijke Nederlandse Akademie van Wetenschappen (membro estrangeiro), a Academia Saxônica de Ciências de Leipzig (membro correspondente), a Pontificia Academia Scientiarum, o Franklin Institute, além de membro honorário da American Philosophical Society e da American Physical Society.

Na vida pessoal, Chadwick casou-se, em 1925, com Aileen Stewart-Brown, de Liverpool. O casal teve filhas gêmeas e viveu em Denbigh, no norte do País de Gales. Seus passatempos favoritos eram a jardinagem e a pesca.

Sir James Chadwick faleceu em 24 de julho de 1974, aos 82 anos.


★ Edição: Mauro Mauler - Artigo publicado em 20/08/2025.

★ Baseado em conteúdos traduzidos e adaptados de:

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