Galáxias do Conhecimento

Estruturas do Universo


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Aglomerados de galáxias

As galáxias, em sua maioria, não se encontram isoladas na vastidão do espaço. Elas se conectam, pela força da gravidade, com uma ou mais galáxias distintas. A mesma força que nos prende ao chão da Terra mantém muitas galáxias individuais em uma conformação de agrupamento.

Esses grupos podem ser pequenos, tais como aqueles formados por apenas duas galáxias em órbita recíproca, e também muito grandes, a exemplo do Superaglomerado de Coma, com milhares de galáxias preenchendo uma extensão de mais de dez milhões de anos-luz.


Aglomerado de Coma
Região central do Superaglomerado de Coma. Trata-se de um mosaico que combina luz visível do Sloan Digital Sky Survey (em tom azul) com raios de ondas longas e curtas do infravermelho (respectivamente, em vermelho e verde) do Telescópio Espacial Spitzer. As duas grandes galáxias elípticas, NGC 4889 and NGC 4874, dominam o centro do aglomerado.

Os aglomerados de galáxias são as maiores estruturas do Universo conhecido, apresentando muitas propriedades que os tornam grandes laboratórios de Astrofísica. Por exemplo:

  • Aglomerados sofrem variações muito lentamente. Mudanças significativas levam quase o equivalente à idade do Universo para ocorrerem. Logo, eles mantêm a informação de como se originaram e constituem um bom campo de investigação sobre a história da estrutura e da formação de galáxias.
  • Os agrupamentos tendem a reter gases em seus sistemas. Isto não ocorre no nível das galáxias individuais, onde o gás é expelido nas grandes explosões em supernovas. Desta forma, aglomerados são sistemas fechados, e estudar sua composição química possibilita traçar a história da nucleossíntese no Universo. O termo nucleossíntese refere-se à formação de elementos mais pesados (núcleos atômicos com muitos prótons e nêutrons), a partir da fusão de elementos mais leves.
  • A força gravitacional que mantém os aglomerados unidos tem sua origem, em sua maior parte, na matéria escura. Portanto, eles são excelentes fontes para o estudo dessa excêntrica modalidade de matéria.

A maior parte do que é visível em um aglomerado, todas as estrelas em todas as galáxias, é apenas uma pequena fração da soma total de tudo o que nele está presente.

Por exemplo: emissões de raios X provenientes de gases quentes (10 a 100 milhões de graus), retidos pela força gravitacional do aglomerado, representam uma parcela da massa total muito maior do que a das estrelas, embora sejam completamente invisíveis aos olhos humanos.



Aglomerado do sorriso

No centro da foto, destaca-se o aglomerado de galáxias SDSS J1038+4849. A imagem foi obtida pelo Telescópio Espacial Hubble e parece estar sorrindo. Os dois olhos são galáxias muito brilhantes e as linhas que causam a ilusão do sorriso são, na verdade, arcos causados por um efeito conhecido como lente gravitacional forte.

Os aglomerados de galáxias são as estruturas mais massivas do Universo e exercem uma atração gravitacional tão intensa que deformam o espaço-tempo ao seu redor, agindo como lentes cósmicas que podem ampliar, distorcer e curvar a luz que vem por trás. O fenômeno, crucial para muitas das descobertas alcançadas graças às observações do Telescópio Espacial Hubble, foi previsto por Einstein em sua Teoria da Relatividade Geral.

Neste caso particular de lente gravitacional, um anel - conhecido como Anel de Einstein - é produzido pela flexão da luz, uma consequência do alinhamento exato e simétrico entre fonte, lente e observador, resultando na visão da referida estrutura.

[Créditos: NASA/ESA.]

Matéria nos aglomerados

Aglomerados de galáxias são constituídos por dois tipos básicos de matéria: a luminosa (como estrelas e gás quente) e a matéria escura.

A matéria escura não brilha, só sabemos de sua existência devido ao efeito gravitacional que afeta a matéria luminosa. Se queremos investigar a quantidade de matéria escura existente no Universo inteiro, temos que estudar algo que seja de fato representativo, e os aglomerados são as maiores estruturas conhecidas.

Acredita-se que a fração de matéria escura presente nos aglomerados corresponde à mesma quantidade do Universo como um todo. Em outras palavras, toda a matéria escura do Universo está dentro dos aglomerados de galáxias.

A maior parte da matéria luminosa encontra-se na forma de gás quente entre as galáxias. Esses gases intergalácticos, com temperaturas variando de 10 a 100 milhões de graus, emitem raios X. Então, a quantidade de gás em um aglomerado pode ser obtida pela luminosidade total em raios X que é observada.


Aglomerado Virgo

O Aglomerado de Virgem, em raios X e luz ótica. A captura em raios X, obtida pelo Roentgen Satellite (ROSAT), revela um plasma ou gás emissor de raios X, com uma temperatura entre 10 e 100 milhões de graus ao longo do aglomerado. Cores falsas foram usadas para representar as diferentes intensidades das emissões. A grande área de emissão de raios X, bem abaixo e à esquerda do centro, abrange aproximadamente 1 milhão de anos-luz. A galáxia elíptica gigante M87, mais volumoso membro do aglomerado, está centralizada naquela área, enquanto que outros membros distribuem-se ao redor. Os cálculos com base nas emissões de raios X levaram os astrônomos à conclusão de que a massa total dos gases que os emitem equivale a 5 vezes a massa somada de todas as galáxias do aglomerado. Além disso, essas massas somadas não produzem gravidade suficiente para manter o aglomerado coeso. Onde está a massa invisível? Considerando que os aglomerados de galáxias são as maiores estruturas do Universo, essa misteriosa matéria escura domina o Cosmos, mas sua natureza ainda é desconhecida.


Nosso lugar no Universo

Vamos fazer uma analogia: moramos em uma rua, de um determinado bairro, em uma cidade que faz parte de um estado, e este, por sua vez, é vinculado a um país do Planeta Terra. Tais informações constituem nosso endereço no planeta.

Também temos um endereço no Cosmos: moramos em um planeta (a "rua") do Sistema Solar (o "bairro"), que está em um braço externo da Via Láctea (a "cidade"). Nossa galáxia faz parte de um agrupamento, que chamamos de Aglomerado Local (o "estado").

Mas qual é nosso "país" no Universo? Até recentemente, estava muito bem estabelecido que nosso agrupamento faz parte do Superaglomerado de Virgem (também chamado de Superaglomerado Local). E faz, de fato!


Aglomerados de galáxias

Um mapa dos aglomerados mais próximos de nós. Ao centro, o Superaglomerado de Virgem, do qual faz parte a Via Láctea. Clique sobre a imagem para vê-la expandida. [Créditos: Richard Powell, CC BY-SA 2.5, via Wikimedia Commons]


Um novo estudo, no entanto, publicado em 2014 na revista Nature, demonstrou que Virgo, com seus aproximadamente cem aglomerados de galáxias, é apenas um pedacinho do Superaglomerado Laniakea, cem vezes maior em volume e massa, contendo cem mil galáxias em uma extensão de 520 milhões de anos-luz.

Basicamente, os cientistas usaram análises das velocidades relativas das galáxias para definir melhor os limites entre superaglomerados. Afinal, onde termina um superaglomerado e onde se inicia outro?

Para detalhes mais específicos do estudo científico realizado, acesse o artigo da Nature, intitulado Earth's new address: 'Solar System, Milky Way, Laniakea'. Traduzindo: novo endereço da Terra: 'Sistema Solar, Via Láctea, Laniakea'.


Superaglomerado Laniakea
Esboço da estrutura do Superaglomerado Laniakea. [Créditos: R. Brent Tully (U. Hawaii) et al., SDvision, DP, CEA/Saclay - via NASA.]


★ Edição: Mauro Mauler - atualizada em 16/04/2024.

★ Conteúdo parcialmente adaptado de:

NASA's Imagine the Universe

★ Bibliografia adicional:

Earth's new address: 'Solar System, Milky Way, Laniakea' - Revista Nature, 03/09/2014.



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