Galáxias do Conhecimento

21/02/2025

O Universo como nunca visto

Astrônomos registram pela primeira vez uma imagem direta da teia cósmica, a estrutura invisível que conecta galáxias pelo Universo.



Um voo pela teia cósmica. Os nós brilhantes são galáxias, e os filamentos roxos são esculpidos pela matéria escura, por onde fluem gases cósmicos. [Créditos: NASA/NCSA University of Illinois Visualization, por Frank Summers; simulação do Telescópio Espacial Hubble: Martin White e Lars Hernquist, da Universidade de Harvard.]

A teia cósmica é a estrutura em larga escala do Universo, formada por filamentos cósmicos. Essa vasta e intrincada rede é moldada pela matéria escura, que representa cerca de 85% de toda a matéria existente. Esse percentual não inclui a energia escura, que domina o conteúdo do Universo e impulsiona sua expansão acelerada.

A energia escura atua em escalas maiores, mas é a matéria escura que define a estrutura do Cosmos. Sua influência gravitacional guia o fluxo de gases intergalácticos ao longo da teia cósmica, que funciona como uma espinha dorsal do Universo, alimentando a formação de estrelas e galáxias nos pontos onde os filamentos se cruzam.

A observação desses gases é um grande desafio. Eles são detectados principalmente por meios indiretos - através da medição de como absorvem a luz proveniente de objetos brilhantes e distantes. Embora valiosas, tais observações não esclarecem precisamente como os gases estão distribuídos.

Isso ocorre porque a observação direta é extremamente difícil. Até mesmo o hidrogênio, o elemento mais abundante do Universo, emite uma luminosidade muito tênue, tornando sua detecção pelos telescópios da geração anterior praticamente impossível.

No entanto, uma tecnologia inovadora permitiu recentemente a obtenção da primeira imagem de alta definição de um dos filamentos da teia cósmica, com uma extensão de 3 milhões de anos-luz e conectando duas galáxias, cada uma delas abrigando um buraco negro supermassivo ativo.

A imagem capturada revela o Universo quando ele tinha apenas 2 bilhões de anos de idade. A nitidez alcançada exigiu centenas de horas de observações, com os equipamentos focados em uma única região do espaço profundo.

A descoberta foi anunciada em um artigo científico publicado na edição digital da Nature Astronomy em 29 de janeiro de 2025, intitulado "High-definition imaging of a filamentary connection between a close quasar pair at z = 3".

O estudo foi liderado por Davide Tornotti, doutorando da Universidade de Milano-Bicocca (Milão, Itália), em colaboração com outros pesquisadores da mesma instituição e do Instituto Max Planck de Astrofísica.

O que tornou possível essa imagem sem precedentes foi o avançado instrumento MUSE (Multi-Unit Spectroscopic Explorer), instalado no Very Large Telescope (VLT), do European Southern Observatory (ESO), no Chile. A luz emitida pelo filamento viajou por quase 12 bilhões de anos até chegar à Terra, e sua captação pelos novos equipamentos permitiu a caracterização precisa de sua estrutura.


Teia cósmica MUSE
Mapeamento do gás difuso (do amarelo ao roxo) contido no interior do filamento cósmico observado, que se estende por uma vasta distância de 3 milhões de anos-luz. [Créditos: Davide Tornotti/University of Milano-Bicocca]


Durante a pesquisa, os cientistas também utilizaram simulações realizadas por um supercomputador do Instituto Max Planck de Astrofísica, baseadas no modelo cosmológico atual. Segundo Tornotti, a comparação entre essas simulações e a nova imagem revelou uma concordância substancial entre teoria e observação.


Teia cósmica em supercomputação
A teia cósmica elaborada pelo supercomputador. Uma excelente previsão que combina perfeitamente com a foto de verdade. [Créditos: Alejandro Benitez-Llambay/Universität Mailand-Bicocca/MPA]


Filamento de teia cósmica
Uma réplica do filamento fotografado, produzida pelo supercomputador com base nas observações do MUSE. [Créditos: Alejandro Benitez-Llambay/Universität Mailand-Bicocca/MPA]

Os pesquisadores agora buscam reunir mais dados para obter imagens de outros filamentos. A possibilidade de observação direta dos gases intergalácticos abre caminho para estudos mais avançados, que podem aprofundar nossa compreensão sobre a formação de galáxias, a distribuição dos gases e seu fluxo ao longo da teia cósmica.

★ Edição: Mauro Mauler. Matéria publicada em 21/02/2025.

★ Referências:


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