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Ganhadores do Prêmio Nobel


Símbolo da Física

Categoria: FÍSICA

seta esquerda     1930     seta vazia

SIR CHANDRASEKHARA VENKATA RAMAN

"Por seu trabalho sobre a dispersão da luz e descoberta do efeito que recebeu seu nome."

Chandrasekhara Raman

Quando a luz interage com partículas menores que seu próprio comprimento de onda, ela se espalha em diferentes direções. Isso ocorre, por exemplo, quando pacotes de luz - fótons - colidem com moléculas em um gás.

Em 1928, o físico indiano Venkata Raman (1888-1970) descobriu que uma pequena fração da luz espalhada pode apresentar comprimentos de onda diferentes do original. Isso acontece porque parte da energia dos fótons incidentes pode ser transferida para uma molécula, elevando seu nível de energia.

Entre outras aplicações, esse fenômeno é utilizado na análise de diversos tipos de materiais. Pela relevância de sua descoberta, Venkata Raman foi laureado com o Prêmio Nobel de Física em 1930.


Nobéis de 1930
Foto tirada durante a cerimônia de entrega dos Prêmios Nobel de 1930. Da esquerda para a direita, quatro laureados: Venkata Raman (Física), Hans Fischer (Química), Karl Landsteiner (Medicina) e Sinclair Lewis (Literatura). [Foto: autor desconhecido, domínio público, via Wikimedia Commons]


A vida de Venkata Raman

Chandrasekhara Venkata Raman nasceu em Tiruchirappalli, no sul da Índia, em 7 de novembro de 1888. Seu pai era professor de Matemática e Física, o que proporcionou a Raman um ambiente acadêmico desde a infância.

Em 1902, ingressou no Presidency College, em Madras, e, em 1904, foi aprovado no exame de bacharelado em Artes (B.A.), classificando-se em primeiro lugar e recebendo a medalha de ouro em Física. Em 1907, obteve o título de mestre em Artes (M.A.), com as mais altas distinções.

Suas primeiras pesquisas em Óptica e Acústica - os dois campos aos quais dedicaria toda a sua carreira - foram realizadas ainda durante seus anos como estudante.

Naquela época, a carreira científica não oferecia boas perspectivas na Índia. Por isso, em 1907, Raman ingressou no Departamento Financeiro do governo indiano. Apesar das exigências do cargo, ele encontrou oportunidades para conduzir pesquisas experimentais no laboratório da Associação Indiana para o Cultivo da Ciência, em Calcutá, onde se tornou Secretário Honorário em 1919.

Em 1917, aceitou a recém-criada Cátedra Palit de Física na Universidade de Calcutá. Quinze anos depois, tornou-se professor no Instituto Indiano de Ciências, em Bangalore (1933-1948), e, a partir de 1948, passou a dirigir o Instituto Raman de Pesquisa, também em Bangalore, instituição que ele próprio fundou e financiou.

Raman criou, em 1926, o Indian Journal of Physics, do qual foi editor. Também foi um dos responsáveis pela fundação da Academia Indiana de Ciências, atuando como presidente desde sua criação. Além disso, iniciou os Anais da academia, onde publicou grande parte de seus trabalhos, e presidiu a Current Science Association, em Bangalore, que edita a revista Current Science (Índia).

Seus primeiros trabalhos foram publicados nos boletins da Associação Indiana para o Cultivo da Ciência, como o Boletim 6 e o Boletim 11, que tratam da “Manutenção de Vibrações”, e o Boletim 15 (1918), que aborda a teoria dos instrumentos musicais da família do violino. Em 1928, contribuiu com um artigo sobre a teoria dos instrumentos musicais para o oitavo volume do Handbuch der Physik.

Em 1922, publicou seu estudo sobre a “Difração Molecular da Luz”, o primeiro de uma série de investigações realizadas com seus colaboradores. Essas pesquisas culminaram, em 28 de fevereiro de 1928, na descoberta do fenômeno que passou a levar seu nome, o efeito Raman - um tipo de espalhamento inelástico da luz. Seu artigo “Uma nova radiação” (Indian Journal of Physics, 2 (1928), 387) descreveu essa descoberta, que lhe rendeu o Prêmio Nobel de Física de 1930.

Outras investigações conduzidas por Raman incluíram estudos experimentais e teóricos sobre a difração da luz por ondas acústicas de frequências ultrassônicas e hipersônicas (publicados entre 1934 e 1942), bem como pesquisas sobre os efeitos dos raios X nas vibrações infravermelhas de cristais expostos à luz comum.

A partir de 1948, ele abordou de maneira inovadora problemas fundamentais da dinâmica dos cristais, por meio da análise de seu comportamento espectroscópico. Seu laboratório estudou a estrutura e as propriedades do diamante, além do comportamento óptico de diversas substâncias iridescentes, como labradorita, feldspato perolado, ágata, opala e pérolas.

Entre outros interesses científicos de Raman estavam a óptica de coloides, a anisotropia elétrica e magnética e a fisiologia da visão humana.

Ao longo de sua carreira, recebeu diversos doutorados honorários e foi membro de várias sociedades científicas. Em 1924, foi eleito membro da Royal Society e, em 1929, recebeu o título de Cavaleiro do Império Britânico (Sir).

Sir Chandrasekhara Venkata Raman faleceu em 21 de novembro de 1970, aos 82 anos.


★ Edição: Mauro Mauler - Artigo publicado em 24/02/2025.
★ Baseado em conteúdos traduzidos e adaptados de:
 Sir Venkata Raman - Facts. NobelPrize.org. Nobel Prize Outreach.
 Sir Chandrasekhara Venkata Raman - Biographical. NobelPrize.org. Nobel Prize Outreach.
 (último acesso: 23/02/2025)



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